domingo, 2 de novembro de 2008

Escoamento é complicado

Do meio para o fim da semana, o quadro vem se repetindo. Uma enorme e indignada fila de caminhões se alastra pelo Porto do Pecém, com motoristas impacientes esperando a sua vez de descarregar a carga trazida de longe. Neste período da safra de frutas, torna-se evidente que o terminal já está extrapolando a sua capacidade de servir, de forma satisfatória, à exportação da fruticultura vinda do Interior e de vários outros Estados do Nordeste.

No pátio, os contêineres se amontoam, fazendo fileiras de cinco andares, empilhamento máximo por lá. A quantidade de frutas — o Pecém é o maior exportador destes produtos do País — a serem levadas ao exterior é tanta, que as 645 tomadas refrigeradoras de contêineres vão se tornando insuficientes. Outras 256 foram licitadas, mas só devem estar instaladas para a safra do ano que vem.

Estrutura x demanda

Mas este não é o único problema. Na verdade, as filas vão se formando por um outro motivo: a incapacidade do ´gate´ (portão de entrada) de despachar a demanda atual. “O gate não era pra isso, não estávamos preparados. Nós fomos colocando balanças, o porto foi operando de modo mais sólido, mas com deficiências. Estamos com um porto mais ou menos organizado. Mas quando tem carga pesada, tem esse problema no gate de entrada”, admite Pitombeira. A chegada de contêineres cresce numa velocidade mais rápida que a estrutura.

A demora na descarga preocupa o setor da fruticultura, que teme uma perda nos lucros com a negociação destes produtos perecíveis. Esta preocupação já havia sido antecipada pelo Diário do Nordeste desde abril último.

Mas o presidente da Cearáportos garante que a problemática será solucionada, mas somente para a safra próxima. A adaptação da entrada, projeto estimado em R$ 230 mil, já foi enviada à licitação, segundo afirma o executivo.

Além disso, já foram comprados três novos geradores a diesel, os chamados Power Packs, que possuem acopladas, cada um deles, 48 tomadas refrigeradoras para contêineres. O valor da compra foi de R$ 330 mil. Outras três geradores foram alugados para atender à demanda atual.

Também para agilizar a fiscalização da carga que sai e entra no porto, o Pecém contará com um scanner, aparelho que identifica a carga dos contêineres sem que seja preciso abri-los para inspecioná-los. O aparelho é orçado em R$ 7,5 bilhões, e já foi licitado pela Receita Federal (PF).

“Foram licitados 22 scanneres, e estamos na listagem. O nosso já foi comprado, só falta receber. Não dá para saber quando chega, pelo menos, já se chegou a algumas etapas. Tenho certeza que estará aqui para safra do ano que vem”, afirma, categoricamente, Erasmo Pitombeira. (SS)

CARGA FRIA

256 novas tomadas refrigeradoras de contêineres foram licitadas, mas só devem estar instaladas no Porto do Pecém para a safra de frutas do ano que vem, segundo a Cearáportos

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